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NÍVEIS ELEVADOS DE FÓSFORO NO SANGUE E CALCIFICAÇÕES

Os doentes com insuficiência renal crónica apresentam um risco cardiovascular muito superior ao da população sem doença renal. Sendo assim os doentes renais estão muito mais susceptíveis a ter doença cardíaca e dos vasos sanguíneos periféricos. Para explicar esta incidência elevada de doença cardiovascular, os factores de risco tradicionais, tais como a diabetes, a dislipidemia, ou o tabagismo não eram por si só suficientes. Contudo, recentemente, para além dos factores de risco cardiovascular tradicionais, foram identificados outros factores de risco não tradicionais e provavelmente específicos da população de doentes insuficientes renais crónicos em hemodiálise. Entre estes últimos, estão as alterações do metabolismo mineral, nomeadamente a elevação dos níveis sanguíneos de fósforo ou hiperfosfatemia. O fósforo é um elemento que existe em grande quantidade nos ossos, tal como o cálcio, contribuindo ambos para que se mantenham fortes e saudáveis, existindo também fósforo nos músculos e noutros tecidos.

 No dia-a-dia, o fósforo entra no organismo através da alimentação. Este existe em grandes quantidades nas proteínas, pelo que os alimentos mais ricos em proteínas, tais como a carne, produtos lácteos e frutos secos, são também os que possuem maiores quantidades de fósforo. Por outro lado o cálcio entra no organismo através da diálise, medicamentos (tais como os suplementos de cálcio e quelantes/captadores à base de cálcio), para além da alimentação.

 A hiperfosfatemia é uma alteração detectada muito frequentemente neste grupo de doentes. A presença de quantidades elevadas de fósforo e cálcio no organismo leva a que estes dois elementos se combinem e formem depósitos contendo cálcio nas articulações, nos órgãos e nos vasos sanguíneos. Estes depósitos podem provocar o endurecimento dos tecidos, num processo denominado calcificação, assemelhando-se à imagem de uma canalização que ao longo do tempo vai acumulando no seu interior calcário, danificando-a.

 A calcificação é um processo progressivo, mas existem no entanto sintomas que deverão ser considerados como os primeiros alertas de que os níveis séricos de fósforo estão demasiado elevados, nomeadamente:
 - Olhos vermelhos – Os depósitos de cálcio ao formar-se nos olhos dão-lhes um aspecto avermelhado e raiado de sangue.
- Prurido (comichão) ou lesões na pele – Os níveis elevados de fósforo e cálcio no sangue podem provocar prurido, tornando a pele avermelhada e irritada.

 Os níveis sanguíneos não controlados de fósforo e cálcio levam ainda ao aparecimento de outros sintomas como:
- Calcificações das articulações – Podem formar-se depósitos de cálcio nas articulações fazendo com que fiquem inchadas ou dilatadas, causando dores e limitando os movimentos. Os ossos podem tornar-se fracos e frágeis, podendo conduzir a fracturas.
- Calcificações dos vasos sanguíneos – Os depósitos de cálcio comprometem a circulação sanguínea, afectando a correcta irrigação dos tecidos.
- Calcificação do coração – poderá levar a uma redução do fluxo de sangue para o coração, o que pode induzir um ataque cardíaco
- Calcificação dos pulmões – poderá causar problemas respiratórios e/ou doenças pulmonares.

 O trabalho desenvolvido por vários investigadores nos últimos anos, demonstrou que existe uma relação directa entre os níveis demasiado elevados de fósforo e mortalidade. A hiperfosfatemia é um dos factores responsáveis pelo desenvolvimento de calcificações vasculares e a presença destas, por sua vez, associa-se a um aumento da mortalidade.

 O risco de calcificação poderá ser reduzido, através da:
- Manutenção do regime alimentar recomendado – A selecção correcta dos alimentos é essencial para garantir que é completa e corresponde às suas necessidades nutricionais e energéticas, evitando os que são mais ricos em cálcio e fósforo, ou ajustando as suas quantidades.
- Manutenção do regime de diálise prescrito – a diálise ajuda a filtrar e eliminar do seu sangue o fósforo e outras substâncias tóxicas, pelo que é importante que não falte às sessões de diálise, nem antecipe o final de cada sessão.

 Apesar de uma alimentação e diálise adequadas, a maioria dos indivíduos com insuficiência renal necessita de auxílio terapêutico adicional para controlar os níveis de fósforo no organismo, através de um medicamento captador/quelante de fósforo. Estes medicamentos são tomados às refeições, absorvendo o fósforo contido nos alimentos ingeridos. O captador de fósforo sevelamer é eliminado pelo organismo juntamente com o fósforo que absorveu. Porém, alguns captadores de fósforo não são completamente eliminados, sendo acumulados no organismo, ao longo do tempo.

 É o caso dos constituídos por um mineral (como o cálcio) ou um metal (como o alumínio ou o lantânio), que podem ser absorvidos pelo organismo. Assim, ainda que estes sejam eficazes na redução dos níveis de fósforo no sangue, levam à acumulação gradual de cálcio ou metais, podendo causar complicações graves.

 Convém não esquecer que os captadores de fósforo são indicados para funcionar em conjunto com a diálise e uma alimentação com baixo teor de fósforo, devendo ser seguidas as recomendações médicas em todas as etapas de tratamento.

Prof Dr. João Frazão



 
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