Tal como já tínhamos anunciado aqui, a APIR, em colaboração com os prestadores privados de hemodiálise, realizou um levantamento nacional de grande escala para caracterizar as condições de transporte dos doentes e avaliar o seu nível de satisfação.
Este trabalho só foi possível graças à participação de milhares de utentes e ao envolvimento das equipas das clínicas, a quem deixamos o nosso sincero agradecimento.
Partilhamos agora as principais conclusões deste estudo, que ajudam a compreender melhor a realidade diária dos doentes em hemodiálise e a identificar prioridades claras de melhoria no sistema de transporte.
Enquadramento
- 4 173 respostas (≈33% da população em hemodiálise em Portugal)
- População marcadamente envelhecida (77% > 60 anos)
- Forte dependência de transporte não urgente de doentes
O que os doentes usam vs. o que preferem
- 85,7% usam ambulâncias (Bombeiros + empresas privadas)
- Apenas 49,4% escolheriam ambulância se tivessem opção
- Preferência crescente por táxi/TVDE (34,4%)
- Aumento da preferência por viatura própria (15,7%)
Principais problemas identificados
- Pontualidade: atrasos frequentes e recolhas demasiado cedo
- Tempos de espera: 30 min a 2h (ou mais) antes e depois do tratamento
- Percursos longos: viagens de 10–20 min transformadas em 1–2 horas
- Sobrelotação: demasiados doentes por ambulância
- Condições das viaturas: falta de conforto, climatização, higiene e segurança
Impacto na vida dos doentes
- Perda de autonomia e previsibilidade
- Aumento da ansiedade e desgaste físico
- Dias inteiros ocupados com transporte + espera + tratamento
- Maior vulnerabilidade em pessoas idosas e frágeis
O que funciona bem
- Elevada valorização da simpatia e profissionalismo das equipas
- Segurança da condução e do veículo bem avaliadas
- Relação humana como ponto forte do serviço
O que os doentes pedem
- Mais pontualidade e previsibilidade
- Redução dos tempos de espera
- Menos desvios e menos sobrelotação
- Renovação das frotas e melhores condições
- Formação das equipas
- Fiscalização das entidades prestadoras
- Alternativas individualizadas: táxi/TVDE ou apoio ao transporte próprio
Mensagem final
- O modelo atual é essencial, mas não está alinhado com as necessidades reais
- É necessário evoluir para um transporte mais humano, mais eficiente e mais digno
- Prioridade: colocar a pessoa no centro da mobilidade para hemodiálise



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