
14 de fevereiro é para milhões de pessoas o Dia dos Namorados, mas para a família Paiva de Vila Nova do Ceira, concelho de Góis, trata-se do dia de aniversário da Avó Idália, uma senhora muito especial.
Idália Paiva, que celebra o seu 81.° Aniversário, é transplantada renal há 32 anos, e tem uma história de vida repleta de desafios e superação. Ainda hoje, prestes a tornar-se bisavó, mantém-se ativa, ajudando os filhos no negócio do café/minimercado que sempre manteve com o saudoso marido.
Pequenina, em roupas de luto, com postura discreta e humilde e uma vozinha quase sussurrada que nos convida a aproximar-nos para a escutar, Idália é uma mulher de poucas palavras, mas com muito para contar.
À mesa, em família, costuma poupar-se a discursos, antes desfruta discretamente munida de um ténue sorriso da harmonia e comunhão familiar, que assegura ser a mais importante coisa na vida para ela. Quando inquirida acerca do seu percurso de vida, torna-se inevitável falar do seu percurso de saúde: anos de deslocações a Coimbra para hemodiálise, os profissionais de saúde que a trataram com carinho, pessoas que sucumbiram na sua presença durante tratamentos, o transplante tão desejado, e com ele o aumento da sua qualidade de vida.
Ganhou um “irmão de rim”, um senhor de um concelho vizinho que, por coincidência, recebeu no mesmo dia que Idália o outro rim da mesma dadora. Desde essa data e até ao falecimento do senhor, Idália e o “Irmão de rim” deslocaram-se várias vezes ao Santuário de Fátima com as suas respetivas famílias para agradecer a dádiva, e mantiveram sempre contacto regularmente.
Idália fala de todos estes episódios placidamente, aceitando tudo como parte do seu percurso. Nos braços ainda são visíveis as marcas de anos de hemodiálise, inúmeras fístulas.
Por fim, mas não menos importante, agradeço a todas as pessoas que se permitem doar os seus órgãos, seja em vida ou depois de falecer, mudando assim a vida de muitas pessoas.