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Nuno Pedrosa

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Home Testemunhos Testemunhos em texto Nuno Pedrosa

Em junho de 1997, tinha eu 26 anos, fui de urgência para o Hospital Amadora-Sintra, com dores de cabeça. Vim a descobrir que tinha uma insuficiência renal, com os rins a trabalhar a 12%. Logo aí me falaram em hemodiálise, mas eu não sabia o que era, nem nunca tinha visto. Era um jovem sempre ligado ao desporto, pois jogava futebol profissional.

No hospital tive logo um contacto visual com o tratamento. Ui, foi um pouco difícil, pois tinha um grande pavor às agulhas. Quando tinha 8 anos fugi do centro de saúde quando soube que ia fazer análises e só parei em casa! Agora até dou por mim a dar a mim próprio injeções de eritropoietina para anemia, mas a doutora na altura deu-me uma valente aula do que era fazer hemodiálise.

Na altura já tinha um gosto especial por viajar e até já tinha uma viagem marcada para o sul de França, de carro, o objetivo era chegar ao Mónaco. Depois de assinar um termo de responsabilidade, a médica lá me deixou ir, já que ela me tinha dito que estava quase a iniciar o tratamento. Em 22 de dezembro de 1997 iniciei o tratamento de hemodiálise, dois dias antes do Natal. Sempre disse para mim mesmo que seria por pouco tempo, e que ia voltar a viajar. Mas as coisas não foram bem assim.

Com 5 anos de hemodiálise foi-me descoberto por acaso um carcinoma maligno no rim, era um tumor de segundo grau. Nunca obtive a causa da minha insuficiência renal, mas na altura também não era importante, pois tinha que resolver o tumor. Passado dois dias estava no bloco a tirar o rim, por sorte não tinha afetado mais nenhum órgão. Cinco anos fora da lista devido ao tumor, com mais cinco que já tinha, aquela esperança de correr mundo tinha ficado um pouco de lado.

Sempre fui uma pessoa muito positiva, alegre e bem-disposta, sempre disse para mim mesmo que não me tinha acontecido um azar, mas sim sorte por estar vivo e poder haver tratamento. Há muitos anos atrás não havia tratamento e a minha vida teria ficado por ali… aos 27 anos.

Na minha vida pessoal sempre tive o apoio da família, pais, irmão e da minha ex-companheira, que esteve ao meu lado por quase 15 anos. Com 3 anos de namoro disse-lhe: “Não sei o que vai ser da minha vida daqui para a frente, por isso tens todo o direito de seguir a tua vida, já que a minha é um grande ponto de interrogação.” Passados 6 meses estávamos casados.

Nesses 10 anos de diálise fiz várias viagens ao estrangeiro e conheci 4 ou 5 países. Muitas vezes me perguntam quando vou ser transplantado ou em que posição estou na lista. As perguntas são perfeitamente normais, pois nem todos sabem como é o critério. E um dia lá veio o transplante, parece que foi ontem. Estávamos na Páscoa e eu estava no Algarve. Assim do nada recebo uma chamada: – Boa noite, é o Nuno Pedrosa? – Sim, quem fala? – Aqui é do hospital de Coimbra, o Nuno quer ser transplantado? Foi uma sensação de alegria e de esperança ao mesmo tempo.

Eram 23 horas e fiz-me a caminho de Coimbra. Foram quatro horas de caminho e estava sempre muito calmo… até ver a placa a dizer «Coimbra». Do nada apoderou-se um nervosismo de caixão à cova! Afinal era uma operação de 5 a 6 horas, para a qual não estava mentalizado nem preparado, e ia receber um órgão de outra pessoa. Liguei aos meus pais, ao meu irmão e alguns amigos que ao longo da minha vida estiveram sempre presentes. “Agora sim”, disse para mim, “vou ter uma vida com mais liberdade”. Aí veio o divórcio, algo que nunca estamos à espera depois de passar tanto tempo juntos e ter passado por muita coisa. Hoje tenho a consciência que não é fácil viver com alguém que tenha este problema, pois tem que haver uma grande união.

Então decidi que tinha que seguir a minha vida. Nesse próprio dia tinha ido ao cinema ver o filme «Comer, Orar, Amar». E aí foi o clique: comecei a correr o mundo, mas sempre com os devidos cuidados médicos. Disse para mim mesmo: “É isto que vou fazer”. Decidi ir dois meses para Ásia sozinho, fazer 7 países asiáticos. Como nunca tinha ido sozinho para o estrangeiro, tive algum receio, ainda mais transplantado. Entrei no avião e dava por mim a dizer “O que é que eu faço aqui” ou “Sou doido”.

Quando cheguei a Singapura só tinha vontade de me vir embora. Foram quase 40 países visitados, sempre de mochila às costas. Foram 10 anos de transplante limpinhos, sem um internamento e sem uma consulta extra. Em dezembro de 2018, tinha acabado de ir ao México com a minha mãe. Ao chegar a Portugal, no dia seguinte fui a uma consulta de transplante de rotina em Coimbra, e deu-me dois AVC no próprio hospital. Estive dois dias em coma induzido. Aí sim, pela primeira vez senti medo, porque do nada tinha caído no chão e podia ter-me ficado por ali. Os médicos nessa altura optaram por salvar a vida e deixaram o rim e a própria medicação de lado. Felizmente não fiquei com sequelas dos AVC.

A médica falou em pôr um cateter na zona abdominal e passar a fazer diálise peritoneal, já que sabia o meu passado de viajante. Não podia parar de fazer o que mais gostava, e como não sou de virar a cara, continuei a fazer o que mais gostava: viajar. Muitas vezes com o tratamento às costas! Não basta marcar hotéis e voos, o tratamento tem que chegar ao sítio onde eu vá e é preciso muito jogo de cintura! Como nos EUA, que me cobraram 300 dólares para o tratamento ficar comigo no hotel. E sem contar que fiquei retido nos EUA, no aeroporto, por pensarem que eu levava droga pelo cateter. Não me fizeram perguntas, fui logo para uma sala, o que vale é que tinha o relatório médico em inglês na mão. Na Alemanha pensavam que levava ópio e quase que fui levado para a esquadra. No México, uma gastroenterite levou-me ao hospital, onde paguei 3600 dólares (mais tarde devolvidos pelo seguro). Na Finlândia, num cruzeiro, ninguém sabia onde estava o tratamento e já estava em alto mar, não imaginam o susto que foi. Dava um livro!

Hoje tenho quase 60 países, 20 deles em diálise peritoneal. Só me falta conhecer a Oceânia! Se me perguntarem o que gostei mais, foi a Islândia; o que menos gostei, foi Marrocos. Tive 10 anos em que transportei um órgão que não era meu, que me fez sorrir, brincar, pular, estar com as pessoas que mais gosto e, por fim, fazer o que mais amo: viajar! Não sou uma pessoa de me lamentar, de me fazer de desgraçadinho, mas sim de encarar os problemas com otimismo e esperança, e sou alguém que gosta muito de viver.

Ao longo destes anos conheci pessoas maravilhosas, pessoas que me fizeram um ser muito melhor, pessoas que me fizeram crescer como homem e como ser humano, com as suas histórias de vida. Quando volto ao centro e me dizem “Olha o nosso Nuno!”. Enfermeiros, médicos, auxiliares, muito deles amigos até hoje, sei que posso contar com eles e eles comigo.

Com o meu testemunho quero dizer às pessoas que gostem de viajar com limitações ou sem limitações, que não tenham medo do mundo lá fora, que viajar é um sentimento de liberdade, confiança, felicidade e conhecimento. Afinal de contas somos todos iguais! Hoje tenho pessoas ao meu lado que me fazem sorrir, que me fazem encarar a vida com otimismo e uma Mãe maravilhosa que ao longo destes 23 anos nunca deixou de estar ao meu lado. Não posso também deixar de agradecer à Diaverum da Amadora e o meu reconhecimento pela forma como sempre me trataram.

A todos eles, o meu obrigado! 

Nuno Pedrosa

2020

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