
Olá, sou o Tiago Leitão, tenho 22 anos e vivo em Leiria. Sou insuficiente renal desde os 5 anos de idade e até hoje aprendi, com várias etapas, como saber lidar com isso, ser insuficiente renal.
Quando tinha cerca de 16 anos estava a entrar numa fase da minha vida em a que a minha insuficiência renal piorou por irresponsabilidade minha, queria ser um menino como os outros, ditos “normais”, então, muitas vezes, não
cumpria a medicação. Não tinha aceitado a minha doença.
Numa consulta no Hospital Pediátrico de Coimbra com a Dra. Clara Gomes (quem me acompanhou com todo a carinho do mundo até aos meus 18 anos), foi sugerido eu ir passar um fim de semana com Grupo de Jovens Insuficientes Renais da APIR e fazer algumas atividades com eles. Pensei e disse logo que não, que não queria ir.
Pensava eu que eram jovens estranhos, uns autênticos monstros, pensava eu. Quando cheguei a casa, a minha mãe tentou convencer-me, por várias vezes, até que conseguiu. Estava eu já a ir para o encontro do grupo de jovens, num sábado de manhã, quando tentei, à última hora, fazer por tudo para não ir, mas obviamente que a minha mãe não o permitiu.
Quando cheguei, as primeiras pessoas que vieram ter comigo de imediato foram a Matilde Correia (mais
conhecida como Enfermeira Matilde) e a Ana Pastoria (a coordenadora deste fantástico e genial Grupo de Jovens). Ambas me acolheram e, de certa forma, sentia-me em casa.
De seguida, fui conhecer o Grupo de Jovens, aqueles que eu pensava que eram uns monstros…
E não, não havia monstros alguns, eram apenas jovens normais que queriam conviver e conhecer melhor a sua doença, num ambiente no qual me identifiquei bastante. Um ambiente alegre, extrovertido e de jovens com o coração cheio. Cheguei, sentei-me e apresentei-me.
Rapidamente todos me acolheram de uma forma como se já nos conhecêssemos há imenso tempo. Estava lá há cerca de 20 minutos e já não queria voltar para casa. Falávamos de tudo e todos juntos. Falávamos até do “bicho” que era a hemodiálise, quase todos não sabíamos o que era e qual a forma mais correta que devíamos adotar para cuidar bem dos nossos rins, algo que, quando acabou o fim de semana, todos já sabíamos como o fazer, porque as nossas atividades eram bastante em torno disso: alimentação, medicação e saber viver com a nossa insuficiência.
O encontro passou rápido. Com todas as atividades e conviver entre nós, só queríamos mais e mais fins de semana como aqueles. Pedimos por tudo à Ana que nos juntasse outra vez e assim foi. Não passou cerca de um ano quando se realizou o primeiro campo de jovens da APIR, uma das melhores experiências da minha vida.
Aprendemos imenso sobre saber estar e saber viver com todos os nossos problemas. Tínhamos imensas atividades, desde desporto ao ar livre, até aos workshops sobre alimentação saudável ou até mesmo sobre os vários tipos de diálise. Passeámos, convivemos mas, principalmente, nessa semana, vivemos à nossa maneira.
Um agradecimento especial a todos os envolvidos neste campo de férias, mas em especial à Ana, por ser a mãe de tantos jovens numa semana.